quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

GANHO DE ESCALA NA SAÚDE, OU MELHOR, NA DOENÇA.

Éramos nove pessoas para ser atendidas e 40 minutos depois da hora marcada chega o médico que logo me chama. Em cravados três minutos ele deu uma rápida olhadinha no meu tornozelo dolorido e decretou: – Precisamos fazer uma ressonância magnética!

Disse-lhe que eu era consultor de planos de saúde, com trabalhos inclusive para o meu plano – a GEAP, e meu foco é a redução de custos das operadoras. Incontinenti, ele alterou a prescrição e receitou um anti-inflamatório “que certamente resolverá o problema”.

Certo ou errado, esse é o modo com que tratamos os 42 milhões de usuários da saúde suplementar no Brasil. Consultas rápidas, mal pagas e, sempre que possível, com exames, muitos exames.

Nos países onde a assistência médica é paga com base no cuidado integral e também pelo grau de satisfação do paciente, os resultados são excelentes e neste cenário, nossos atuais planos de doença seriam verdadeiros planos de saúde. Essa forma de pagamento por desempenho é ainda recente no Brasil, mas está avançando e logo vai ser adotada até como uma questão de sobrevivência do sistema, desde que associada com as ações preventivas.

Assim, as operadoras deixarão de se preocupar com o pagamento do elevado número de consultas e de exames e, por sua vez, os médicos e hospitais não terão que buscar o ganho em escala, passando a ganhar na medida em que a saúde de seus pacientes esteja melhor. Todos se darão bem.

Josué Fermon é Consultor em Saúde Suplementar

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A DIFÍCIL BOA VIDA DOS SESSENTÕES

Será que a turma dos 60 aos 70 anos precisa de privilégio na fila da loteca? Ou de estacionamento na porta dos bancos? Aos bancos não vão mais e a loteria é uma distração.

Precisamos encarar com seriedade esse grupo que está crescendo exponencialmente e o que fazer para ocupar tanta gente mais ativa e disposta, sem descuidar da sua boa vida.

Faço parte da diretoria de um dos mais exclusivos clubes de Brasília, que historicamente prestigia as pessoas com mais de 60 anos, ou isentando de taxas ou promovendo as mais diversas atividades para essa turma sempre presente.

Ocorre que essa presença cada vez aumenta mais e nos vemos na iminência de controlar a tal turminha espevitada, tanto na freqüência a festas dançantes, como nas atividades esportivas, onde não pagam nada ou pagam a metade dos que os outros pagariam.

Também é interessante como o comparecimento maciço de idosos afugenta, de certa maneira, os mais jovens que não querem ir a programas de “velhos” e perdem o que assisti nesta semana, um grupo de “meninos” e “meninas” na faixa dos 60, descendo de um tirolesa com mais de 500 mts. com uma alegria quase infantil.

O que fazer com tanta gente alegre, feliz e entusiasmada, que agora não quer mais parar de sair de casa, como nos velhos tempos? Quem paga a conta? Os jovens não são mais, porque estão diminuindo ou porque também estão ficando velhos.

Josué Fermon é Consultor em Saúde Suplementar

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A TIMIDEZ DA GEAP. O MERCADO AGRADECE.

Qualquer um de nós sabe, quando na vida mundana, que as mulheres adoram os homens ousados, mas nunca, nunca mesmo, perdoam os tímidos, aqueles sem coragem para avançar um pouquinho que seja.

Assim é o jovem mercado da saúde suplementar e assim é a situação da Fundação GEAP com seus 750 mil beneficiários, dos quais cerca de 48% são compostos de idosos que estão em vias de ver seu plano de saúde ao léu.

Dentro de pouco tempo o STF - Supremo Tribunal Federal deve decidir a favor de Acórdão do TCU - Tribunal de Contas da União que só permite convênios daquela operadora com seus instituidores originais, retirando um naco de 250 mil vidas da sua carteira e aprofundando suas dificuldades.

Desta forma, os beneficiários estarão livres para buscar outros planos, mas terão que se mexer muito para conseguir a mesma cobertura em igualdade de condições, o que pode ser uma grande dificuldade, já que as operadoras privadas não podem comprometer sua carteira com beneficiários de risco ou com doenças preexistentes.

Custo a entender como a Fundação Geap de Seguridade Social com seu vigoroso e promissor plano de saúde para servidores públicos, permitiu-se tamanho risco, não batalhando pela ampliação da clientela, como seria seu direito, e ao mesmo tempo, não defendendo a clientela conquistada, permitindo que forças malsãs reduzissem seu poder e a sua capacidade de crescer.

Haja timidez!

Josué Fermon é Consultor em Saúde Suplementar.

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domingo, 13 de dezembro de 2009

PAGAMENTO POR DESEMPENHO

Recompensar serviços médicos de boa qualidade com uma melhor remuneração é a grande sacada para produzir resultados mais satisfatórios no setor de saúde suplementar.

Uma das formas de se fazer isso é o inovador método de pagamento por desempenho, aumentando a preocupação com a boa saúde dos beneficiários e não com a massificação do atendimento em grande escala, quando são cobrados maior número de procedimentos em detrimento da qualidade dos serviços.

Um sistema de remuneração por desempenho exige critérios e rotinas preestabelecidas, livre, entretanto, de processos ou normas de conduta que possam engessar o atendimento ou limitar o tempo e a liberdade de decisão por parte dos profissionais envolvidos, conforme cada caso.

Para remunerar por desempenho é preciso acompanhar os resultados em termos de valor em saúde, cujo acompanhamento produz informações importantes para a melhor gestão dos recursos. A negociação das tabelas de honorários profissionais e o controle desconfiado do que eles fazem, como ocorre atualmente, não é exatamente um sinal de que aí estaremos diminuindo os nossos custos.

Na verdade, a qualidade no atendimento médico e a consequente melhora da saúde da carteira que serão obtidas após a adoção destes novos critérios é que vão reduzir os custos assistenciais, elevando a satisfação dos beneficiários.

Este é mais um dos caminhos para o fortalecimento do setor. Acreditem.

Josué Fermon é Consultor em Saúde Suplementar

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A CADEIA DE VALOR EM SAÚDE

Recebi do Dr. Emerson Fidelis, Presidente da UNIMED - Federação Minas, o livro A Cadeia de Valor em Saúde com uma proposta de reorganização da atenção na saúde suplementar, junto a uma carta na qual ele manifesta sua crença em contribuir para a transformação do setor através desta excelente obra.

A publicação não está disponível para comercialização, o que é uma perda para as operadoras por ser indispensável em nossas prateleiras, juntamente com o primeiro volume da coleção, sobre modelo cuidador.

No livro, o conceito de valor em saúde é definido a partir do ponto de vista do paciente, sendo uma grande inovação contra o pensamento predominante de esforços administrativos e operacionais, mas de pouca dedicação aos anseios do usuário final.

O que hoje vemos é a preocupação em definir preços sempre que possível espremendo para baixo, em aumentar a fiscalização e as benditas auditorias médicas, com glosas quase sempre irrecuperáveis, mas nada com relação ao desempenho dos profissionais ou à melhoria do paciente, oferecendo maior tempo e dedicação à sua saúde.

Talvez se deixarmos de lado o excesso de controles fiscalizatórios e passarmos a acompanhar com maior afinco a satisfação e a melhoria no atendimento dos beneficiários, possamos assistir a uma verdadeira revolução de conceitos, com o aumento do valor em saúde de toda a cadeia prestadora de serviços.

E assim todos serão felizes para sempre!

Josué Fermon é Consultor em Saúde Suplementar

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

DEIXEM A GEAP EM PAZ !

Como se não bastasse as agruras em que vive o setor de saúde suplementar, com a maioria das empresas se equilibrando perigosamente na difícil linha entre custos e atendimento, a GEAP vem sofrendo constantes interferências externas em sua administração, o que nos faz duvidar até que ponto ela vai resistir.

Tudo começou com o TCU impondo restrições aos convênios que não sejam dos três patrocinadores originais (Ministérios da Saúde, Previdência Social e Trabalho), em face da apelação de uma empresa do setor privado. O relator foi o honrado Ministro Ubiratan Aguiar, hoje presidente daquela Corte, a quem conheço há mais de 40 anos e posso assegurar que ele nunca utilizou a GEAP. Portanto, desconhece a sua importância para nós, pobres servidores e dependentes de outros órgãos.

O assunto ainda está no Supremo Tribunal Federal sob vistas do Ministro Ricardo Lewandowski para ser decidido; agora o deputado Celso Russomano, está questionando a GEAP através da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, para verificar a aplicação de recursos destinados à assistência médica.

Apenas quem não tem o menor conhecimento das peculiaridades dos planos de saúde é que pode dificultar a vida da GEAP, quando todos nós deveríamos, isto sim, ajudá-la a cuidar dos seus quase 350 mil idosos, centenas deles com mais de 100 anos de idade.

E é claro que o mercado está de olho nos clientes que ficarem desamparados! Quem não estaria?

Josué Fermon é Consultor em Saúde Suplementar

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A SAÚDE SUPLEMENTAR NA SEGURANÇA PÚBLICA NÃO É UTOPIA. É FATO.

Um dos programas mais bem concebidos e exequíveis do Governo é o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania – PRONASCI, que completou 2 anos no mês passado e prevê, entre outras coisas, o Sistema Nacional de Atenção à Saúde dos Servidores da Segurança Pública.

E a palavra mágica, como não poderia deixar de ser, é prevenção! Não só nas ações de segurança propriamente ditas, com medidas voltadas para jovens de 15 a 24 anos com o risco de se envolver na violência que está em sua volta, mas também com uma política de valorização e motivação dos profissionais a partir do seu ingresso na profissão.

A atenção à saúde desses servidores é considerada como tema urgente na valorização da classe e envolve, no nível federal, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o Sistema Penitenciário Brasileiro; no nível estadual, as polícias civil e militar e no nível municipal, os guardas municipais.

A sobrecarga física e emocional ou o envolvimento em ações de alto risco mais a pressão da sociedade causam elevado nível de estresse e de sofrimento, justificando maior atenção à saúde desses profissionais.

Especificamente, serão promovidas ações na prevenção e tratamento de problemas associados a drogas e tabagismo, estresse, hipertensão arterial, diabetes e também na promoção da saúde, incluindo a saúde bucal.

O programa do Governo Federal pensou em tudo, até mesmo na preparação para a aposentadoria. Que Beleza!

Josué Fermon é Consultor em Saúde Suplementar

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

A FESTA DA LAJE

Durante o II Seminário de Atenção à Saúde promovido na semana passada pela ANS, eu me senti como se estivesse naquela festa que as pessoas fazem sobre a laje, quando concluem uma etapa importante – e suada – na construção de uma obra, embora a comparação não seja lá muito apropriada.

Construir uma cultura de atenção à saúde é uma tarefa tijolo a tijolo neste terreno tão carente de organização e isso a ANS tem feito com afinco. Desta vez, abordou os critérios para a implantação de diretrizes clínicas e também da qualificação assistencial, entre outros temas.

Enquanto a maioria das nossas operadoras de planos de saúde ainda está se movimentando para criar seus próprios programas de prevenção, algumas tentando se enquadrar nas normas para obter os benefícios da Resolução Normativa Conjunta 001, do início deste ano, a ANS já avança na obra arquitetando o processo de atenção à saúde.

O que ainda falta, é a presença de entidades representativas do setor de serviços, como o NEAD, SINESAD, ABRAHCARE, etc., hoje preocupadas apenas com o rentável negócio da internação domiciliar (Home Care).

O clima de festa foi por conta das cerca de 300 pessoas que compareceram ao evento, conscientes de que a Agência está no caminho certo da regulamentação e que estamos aos poucos tornando o nosso sistema de saúde suplementar um dos mais bem construídos de que se tem notícia.

Ainda bem que a laje é figurativa para agüentar o peso de tanta gente!

Josué Fermon é Consultor em Saúde Suplementar

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

PLANOS DE SAÚDE SÃO CRITICADOS EM NOVELA DA GLOBO

As novelas da Globo sempre retrataram a realidade brasileira em suas diversas faces, crueis ou festivas.

Ontem, lá pelas 10 da noite, no que seria a novela das oito, assisti à personagem de supervisora proibir a médica de atender por mais de 20 minutos uma paciente de plano de saúde.

Este é o espelho da nossa realidade. As operadoras fazem de conta que pagam e os hospitais fazem de conta que atendem. O paciente faz de conta que foi atendido e a saúde no país sai perdendo. Aliás, todos saem perdendo nesse jogo de faz de conta.

Consulta – como no caso da novela – não tem que ser feita em hospital e sim, em clínicas ou postos de saúde, sejam eles públicos ou particulares.

As fontes pagadoras, autogestões ou planos privados, devem começar a credenciar clínicas médicas com o fim específico da regulação e do encaminhamento, dando a seus médicos tempo suficiente para um bom atendimento.  Não seria demais exigir a abertura de um prontuário eletrônico via web, com a história clínica do paciente incluindo os exames complementares que não precisariam mais ser repetidos, se ainda válidos.

Com isso, a grande maioria dos casos estaria resolvida ali mesmo, devolvendo o paciente para sua casa, diagnosticado e muitas vezes tratado, liberando os hospitais para casos mais complexos, que são sua verdadeira vocação.

Este é o nosso sistema, com cada vez mais personagens insatisfeitos, seja prestador, operadora ou usuário. Coitados!

Josué Fermon é Consultor em Saúde Suplementar

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

NEGÓCIO DE GENTE GRANDE

O experiente consultor e conferencista Pedro Fazio alerta, na Saúde Business, sobre novo mercado em formação. A imprensa informa sobre a ambição da CASSI de entrar no mercado privado de saúde, com o apoio financeiro da poderosa PREVI, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

Este é o cenário do mercado de saúde suplementar no Brasil, cada vez mais se concentrando não mãos de grandes empresas ou de autogestões do setor público.

As pequenas operadoras, agora sem fôlego, não devem prosperar por muito tempo, salvo se tomarem algumas decisões corajosas e bastante inovadoras na gestão de suas carteiras, o que é muito difícil de acontecer.

Volto a me referir, então, sobre a necessidade de um intenso trabalho de atenção à saúde por parte das operadoras, não só de pessoas idosas, que custam mais, mas também de sua população saudável, que vai envelhecer mais do que antes.  Provavelmente também vai diminuir o número de jovens que financiam o sistema, dentro daquele velho princípio de que quem não precisa paga para quem precisa.

Portanto, os grandes Planos de Saúde que se cuidem, agora que estão avançando no mercado. Ao longo dos anos, vimos gigantescas corporações dos mais diversos ramos quebrarem exatamente por falta de planejamento de longo prazo, excesso de confiança diante do sucesso então obtido e, enfim, por absoluta falta de previsão.

Neste caso, a previsão está prevista, é prevenção.

Josué Fermon é Consultor em Saúde Suplementar

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